Pular para o conteúdo principal

O péssimo exemplo do dono da Riachuelo e a índole escravocrata do empresariado brasileiro

Não adianta o empresariado brasileiro escrever cartilhas estimulando a responsabilidade social se os empresários não fazem a parte deles. Pior: acham que deveria ser o oposto.

Especialistas em História Política e História Econômica sempre falaram da índole escravocrata do empresariado brasileiro. Apesar de sonharem com gestões em que pudessem ter seus lacaios trabalhando de graça, muitos empresários brasileiros não assumem publicamente isso por conhecerem a má imagem da escravidão no senso comum. Há um medo secreto em ser preso por apoiar e praticar o trabalho escravo, considerado crime por lei.

Mas um deles deixou vazar esta tendência tradicional dos donos do poder econômico em desejar a volta da escravidão no país, que pasmem, está sendo estudada pelo governo Temer (sem o nome de "escravidão", que se tornou pejorativo), na tentativa de diminuir os custos para as elites, preservando o altíssimo padrão de vida, irreal e injusto para um país em desenvolvimento como o Brasil.

O péssimo exemplo do caso Riachuelo

O nome deste empresário é Flávio Rocha, dona da rede de lojas de roupas Riachuelo, que num ato de hipocrisia (na tentativa de soar moderna e informal), agora assume seu nome como RCHLO, numa referência ao internetês. Bonitinho, não?

Flávio Rocha tem tido a coragem de assumir, mesmo discretamente, sua postura escravocrata. Ele, junto com os parentes que gerenciam o negócio, responde a processos trabalhistas e várias vezes foi acusado de práticas escravagistas. Um caso é relatado aqui. Deu uma declaração que deixou sub-entendido o fato de querer a volta da escravidão e anda chamou os governos petistas de "governos Robin Hood", revelando o verdadeiro motivo porque as elites reprovaram os governos de Dilma. Flávio pode ser mau caráter, mas pelo menos não é hipócrita.

Mas o comportamento dele se assemelha aos administradores de séculos mais atrasados. Rocha pensa e age como senhor de engenho. Ele é o único que "assumiu" a postura, mas não o único a por em prática. Empresas e mais empresas são acusadas de práticas escravagistas. A Mc Donalds acumula toneladas de processos trabalhistas e os rostos tristes de seus funcionários não me deixam mentir.  Até mal alimentados os funcionários são. 

Práticas escravagistas vão contra a Administração moderna, que defende que funcionários felizes trabalham melhor. Rocha é um péssimo exemplo de administrador. Nem para o interesse dele, ele pensa em agradar os seus sub-alternos. Cada vez mais a Teoria Administrativa defende a humanidade no mercado de trabalho, e muitas ações tem sido feitas para que haja vários progressos em relação a isso.

Funcionários são o bem mais valioso de qualquer organização

Pessoas não são maquinas e descobriu-se recentemente que o mais "reles" dos funcionários pode contribuir, inclusive intelectualmente, para o desenvolvimento da gestão. Afinal, se os gestores acham ótimo que os funcionários tenham sinergia, porque os patrões não entram nesta sinergia também?

Vai chegar o tempo - e como administrador que sou, acredito não estar muito longe - em que patrões e funcionários irão se unir, agindo com reciprocidade para o desenvolvimento das organizações. Todos tem a ganhar com isso e as empresas que aderirem a esta ideia serão as que liderarão no mercado.

Flávio Rocha e outros que pensam e agem como ele, vivem no seculo retrasado. Empresas como a dele, aos poucos, irão afundar e desaparecer. Ele se esqueceu que a maior riqueza de uma organização está no ser humano, frágil como cristal e precioso como ouro. 

Tratar o ser humano da melhor forma possível, com condições de trabalho dignas, respeito e salário justo (não segundo a opinião pessoal do patrão e sim de acordo com a necessidade de quem recebe) é um dos mais importantes passos para uma empresa crescer. Pois cada vez mais sabemos que seres humanos devem se unir. 

Funcionários são tão humanos quanto seus patrões. Tirando o terno e gravata e os uniformes, todos nós somos iguais. Humanos da mesma espécie.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os desafios de uma Administração progressista e humanitária

Hoje, a Administração necessita urgentemente de uma novíssima fase. Mesmo com as mudanças feitas, a teoria e a prática da Administração ainda tem velhos estereótipos em sua base. Essencialmente mudou muito pouco. A Administração ainda está muito vinculada ao Capitalismo e ao ganancioso desejo pelo lucro. 
Os novos teóricos que se manifestam falam em humanismo, que pessoas são o principal ativo das empresas e bla-bla-bla, mas se vê que na prática a coisa é bem diferente. As faculdades de Administração, ao invés de serem polos de formação de gestores, acabam sendo uma fábrica de a aspirantes a magnatas egoístas, gananciosos e preconceituosos. Confundem arrivismo com ambição. É preciso parar com esta mentalidade infelizmente arraigada à ideia de Administração.
O Capitalismo está velho e acabado. Tenta melhorar a sua aparência, modernizar a sua capacidade de sedução, mas não consegue enxergar que a realidade atual exige pessoas realmente altruístas (sem a hipocrisia do assistencialismo p…

Reforma trabalhista destrói mito da Meritocracia

Hoje eu vou dar uma de Poliana, aquela personagem de conto de fada que via o lado positivo até mesmo na desgraça. A Reforma Trabalhista, que elimina muitos direitos dos trabalhadores, reduzindo o trabalho aos níveis da informalidade, tem um lado bom: cala a voz dos conservadores, que na poderão mais usar o falso mito da Meritocracia para justificar suas crenças.
Para quem chegou a este blog por meio deste texto, Meritocracia é a tese fantasiosa que alega que se um empregado cumprir todas a rotina do trabalho, obedecer ao patrão e seguir rigorosamente as regras do mercado, ele enriquecerá e virará um magnata. Pura lenda.
A Reforma Trabalhista destrói de uma vez por todas a Meritocracia e arranca a máscara de boa índole de empresários, executivos e dos conservadores que os defendem. Vários pontos da reforma deixam bem claro que o trabalhador terá a mesma fragilidade do trabalho informal (como se vê no camelô) e a possibilidade de perder até mesmo o direito a salário é real. Mesmo não e…

Renova Brasil: não caia nesta cilada

Uma iniciativa criada por um grupo formado pelos empresários mais ricos do país, chamada de Renova Brasil, ou Renova BR, tem a finalidade de preparar lideranças comprometidas com o neoliberalismo e que criem meios sutis de evitar a justa redistribuição de renda e o progresso de instituições brasileiras, o que poderia ameaçar a  hegemonia das grandes corporações do "Primeiro Mundo" e que prejudique os interesses particulares destes mesmos empresários.
Fracasso nas regiões onde a burguesia não é maioria
Esta iniciativa, criada para tentar salvar o neoliberalismo, que sofreu danos com a crise econômica de 2008, que se mostra um verdadeiro fracasso nas regiões onde a burguesia não domina, é liderada por Eduardo Mufarej, presidente da Somos Educação e tem o Luciano Huck como um dos patrocinadores e garoto propaganda de iniciativa. O ancião Abílio Diniz, o publicitário Nizan Guanaez (que pediu para o "mordomo" do Golpe de 2016, Michel Temer, aproveitar a impopularidade p…