Pular para o conteúdo principal

A predominância do negociado sobre o legislado e os riscos da volta da escravidão

Com a expulsão de Dilma Rousseff da presidência, feita sem base legal, o que caracteriza um golpe (embora as forças que agora lideram o país não admitam isso - nem a ditadura militar admitiu), toda a legislação trabalhista irá mudar. O avanço do Neoliberalismo, um dos fatores que motivaram o impeachment de Dilma, agora livre de obstáculos, vai eliminar muitos direitos, cabendo ao trabalhador sorte e muita capacidade de convencimento se quiser viver com dignidade.

Sabe-se que capitalistas, por natureza, não costumam ser humanitários. O poder e o lucro, em proporções crescentes, sempre foram as suas metas. Sem leis para impor limites, se sentem seguros para fazerem o que quiserem, reforçando o caráter explorador que é inerente ao Capitalismo e aos ideais liberais que o reforça.

Um grande risco que há é o do retorno, embora de maneira sutil e disfarçada, da escravidão. O ato de trabalhar gratuitamente ou remunerado de forma precária poderá ser autorizado sob a desculpa, nem sempre verdadeira, de salvar empresas ou de acabar com a crise. Mas conhecendo o caráter de muitos empresários e patrões sabe-se que em nome da ganância, pode ser forjar uma falsa crise ou dificuldade para que o patronato esteja livre da obrigação de remunerar seus empregados.

A escravidão poderá ser tolerada como forma de supostamente tentar salvar a economia. Sob justificativas, o governo, que age em prol das elites, poderá permitir que trabalhadores possam trabalhar sem uma remuneração justa e sob condições humilhantes. 

Como não haverá lei para limitar, as coisas seguirão  sob quatro paredes. Se sindicatos e entidades de proteção ao trabalhador não agirem, é desta forma que as coisas acontecerão. A não ser que patrões e empresários sejam humanitários, o que é pouco provável no Brasil, onde líderes são "educados" para serem egoístas, gananciosos e arrivistas.

Infelizmente entramos em uma fase bem ruim da vida brasileira. A estupidez venceu a sensatez. Cabe aos trabalhadores lutarem pelo seu ameaçado lugar ao sol. Um emprego digno, com remuneração justa e condições humanas de trabalho será um luxo valioso que nem todos poderão ter em nosso país. Voltamos ao início do século XX, sem sabermos para onde iremos caminhar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reforma trabalhista destrói mito da Meritocracia

Hoje eu vou dar uma de Poliana, aquela personagem de conto de fada que via o lado positivo até mesmo na desgraça. A Reforma Trabalhista, que elimina muitos direitos dos trabalhadores, reduzindo o trabalho aos níveis da informalidade, tem um lado bom: cala a voz dos conservadores, que na poderão mais usar o falso mito da Meritocracia para justificar suas crenças.
Para quem chegou a este blog por meio deste texto, Meritocracia é a tese fantasiosa que alega que se um empregado cumprir todas a rotina do trabalho, obedecer ao patrão e seguir rigorosamente as regras do mercado, ele enriquecerá e virará um magnata. Pura lenda.
A Reforma Trabalhista destrói de uma vez por todas a Meritocracia e arranca a máscara de boa índole de empresários, executivos e dos conservadores que os defendem. Vários pontos da reforma deixam bem claro que o trabalhador terá a mesma fragilidade do trabalho informal (como se vê no camelô) e a possibilidade de perder até mesmo o direito a salário é real. Mesmo não e…

Os desafios de uma Administração progressista e humanitária

Hoje, a Administração necessita urgentemente de uma novíssima fase. Mesmo com as mudanças feitas, a teoria e a prática da Administração ainda tem velhos estereótipos em sua base. Essencialmente mudou muito pouco. A Administração ainda está muito vinculada ao Capitalismo e ao ganancioso desejo pelo lucro. 
Os novos teóricos que se manifestam falam em humanismo, que pessoas são o principal ativo das empresas e bla-bla-bla, mas se vê que na prática a coisa é bem diferente. As faculdades de Administração, ao invés de serem polos de formação de gestores, acabam sendo uma fábrica de a aspirantes a magnatas egoístas, gananciosos e preconceituosos. Confundem arrivismo com ambição. É preciso parar com esta mentalidade infelizmente arraigada à ideia de Administração.
O Capitalismo está velho e acabado. Tenta melhorar a sua aparência, modernizar a sua capacidade de sedução, mas não consegue enxergar que a realidade atual exige pessoas realmente altruístas (sem a hipocrisia do assistencialismo p…

Crença na equiparação de grandes e pequenos faz população ter piedade de grandes gestores, criando um pensamento conservador

Para a população, os grandes empresários são iguais aos pequenos. Porque os pequenos é que fazem parte da realidade da população. Os pequenos sofrem para manter seus negócios e costumam ser honestos, trabalhadores e não raramente altruístas. Os gestores de micro, pequeno e médio porte são realmente onde se pode ver exemplos de boa e excelente gestão.
Como falei acima, é o que a população consegue ver. A noção de empresariado da população mais leiga é o que ela conhece pessoalmente. Portanto, para a população em geral, empresários são trabalhadores, honestos, humildes e altruístas. E é desta forma que imaginam ser também os grandes.
As pessoas comuns não sabem como funciona o grande empresariado porque não tem acesso aos seus bastidores. Se baseiam no que conhecem, o que faz com que consigam enxergar no poderoso empresário aquele humilde quitandeiro da esquina. Mas um quitandeiro em proporções colossais. Se acham que o quitandeiro sofre, acreditam que o poderoso empresário sofra ainda…