Pular para o conteúdo principal

Temer pretende acabar com direitos trabalhistas

Quem é sensato sabe que um governo se instalou de forma bem desonesta. Sabe também que os verdadeiros motivos estão ligados a ganância capitalista que ainda habita as mentes de boa parte do empresariado brasileiro, ainda bastante ignorante em questões humanas e sociais. 

Que este empresariado, junto com os estrangeiros instalados aqui, patrocinaram a saída de Dilma Rousseff, que estava atrapalhando os planos de expansão capitalista feitos para manter o Brasil o sub-desenvolvimento, para que não prejudiquem os interesses das tradicionais grandes potências mundiais.

Diante desta triste realidade que nada tem a ver com Administração e com democracia, com Temer devidamente instalado na cadeira que não lhe pertence, agora é a hora de retribuir os favores. O empresariado patrocinador do "impeachment" se reúne para cobrar de Temer as mudanças que irão favorecer o patronato e prejudicar o trabalhador, este que tradicionalmente é visto pelas gestões como mero "equipamento" de trabalho.

Isso é revoltante para quem tem o mínimo de senso de humanidade. Apesar do Ministro do Trabalho ter afirmado que "trabalhadores não perderão direitos", isso é uma falácia, pois quem conhece o projeto "Ponte para o Futuro", que reúne ideias de Temer, Cunha, Aécio e sugestões dadas por setores mais conservadores da sociedade, sabe que infelizmente a meta é prejudicar trabalhadores para beneficiar empresas, seus donos e o sistema econômico como um todo. 

É tentar fazer aqui o que se faz em alguns países orientais, onde há uma precarização das relações de trabalho e em alguns existe até a legalização da escravidão. Como nossa sociedade é tradicionalmente escravocrata, segundo o que garante historiadores sérios após pesquisas detalhadas, o risco da volta da escravidão é muito grande. 

Um empresário, que não terá o seu nome e nem o de sua famosa empresa revelados, já se manifestou empolgado com a volta da escravidão (cuja palavra ele evita mencionar, para não prejudicar a sua imagem de "empreendedor"), já que irá diminuir drasticamente os custos. Um conhecido meu já passou pela experiência de trabalhar de graça para uma editora de porte médio, sob desculpa alegada pelos patrões de "dificuldades financeiras". Ele luta até hoje pelos seus direitos, mas com a mudança proposta pela equipe de Temer, a sua causa estará perdida. Até hoje ele se encontra em dificuldades financeiras, fazendo bicos para sobreviver e manter sua família, além de estudar para concursos.

Com essa mudança, o Brasil vai na contramão dos países mais evoluídos, como os da Escandinávia e alguns europeus. Os defensores dessa ideia utilizam a França, que acaba de decretar mudanças trabalhistas desagradáveis, como argumento. Mas conversando com especialistas, o que acontece lá não é a regra e é apenas para casos excepcionais, embora ainda nocivas a população. E sinceramente, nossas leis não deveriam depender do que acontece outros países pois nós temos a nossa própria realidade. É ela que deve ser observada.

Voltaremos em um estágio onde estávamos na República Velha. Sem querer fazer suposição, parece que a ideia é se vingar de todos os presidentes trabalhistas de uma só vez, devolvendo as leis trabalhistas para uma condição anterior a CLT. A equipe de Temer fala em "modernização das leis trabalhistas". Mas estudiosos das leis do trabalho garantem que, pelas suas características, retomamos leis, condições e valores que eram vigentes antes da CLT ser sequer pensada, em um passado bem remoto. 

Entraremos em um gigantesco retrocesso que prejudicará muita gente e do contrário que se pensa, poderá prejudicar a economia e aprisionar o país no sub-desenvolvimento. Muitas regras da nova Administração defendem e exigem o contrario do que Temer pretende fazer. Cada vez mais é aceita entre os estudiosos da Administração a ideia de que o trabalhador precisa ser cada vez mais valorizado e respeitado em seus direitos. Trabalhador feliz produz mais e melhor. Temer e sua equipe se esquecem disto com frequência.

Como a prudência não é uma qualidade típica de brasileiros, temos o triste hábito de só aprendermos após as consequências. Só vamos perceber que erramos quando os erros se mostrarem em seus resultados. Só quando for muito tarde, o governo Temer perceberá a grande burrada cometida que, ao invés de aumentar lucros e fazer a economia alavancar, vai fazer justamente o oposto, criando novas dividas econômicas e sociais que no futuro serão bem difíceis de serem sanadas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reforma trabalhista destrói mito da Meritocracia

Hoje eu vou dar uma de Poliana, aquela personagem de conto de fada que via o lado positivo até mesmo na desgraça. A Reforma Trabalhista, que elimina muitos direitos dos trabalhadores, reduzindo o trabalho aos níveis da informalidade, tem um lado bom: cala a voz dos conservadores, que na poderão mais usar o falso mito da Meritocracia para justificar suas crenças.
Para quem chegou a este blog por meio deste texto, Meritocracia é a tese fantasiosa que alega que se um empregado cumprir todas a rotina do trabalho, obedecer ao patrão e seguir rigorosamente as regras do mercado, ele enriquecerá e virará um magnata. Pura lenda.
A Reforma Trabalhista destrói de uma vez por todas a Meritocracia e arranca a máscara de boa índole de empresários, executivos e dos conservadores que os defendem. Vários pontos da reforma deixam bem claro que o trabalhador terá a mesma fragilidade do trabalho informal (como se vê no camelô) e a possibilidade de perder até mesmo o direito a salário é real. Mesmo não e…

Os desafios de uma Administração progressista e humanitária

Hoje, a Administração necessita urgentemente de uma novíssima fase. Mesmo com as mudanças feitas, a teoria e a prática da Administração ainda tem velhos estereótipos em sua base. Essencialmente mudou muito pouco. A Administração ainda está muito vinculada ao Capitalismo e ao ganancioso desejo pelo lucro. 
Os novos teóricos que se manifestam falam em humanismo, que pessoas são o principal ativo das empresas e bla-bla-bla, mas se vê que na prática a coisa é bem diferente. As faculdades de Administração, ao invés de serem polos de formação de gestores, acabam sendo uma fábrica de a aspirantes a magnatas egoístas, gananciosos e preconceituosos. Confundem arrivismo com ambição. É preciso parar com esta mentalidade infelizmente arraigada à ideia de Administração.
O Capitalismo está velho e acabado. Tenta melhorar a sua aparência, modernizar a sua capacidade de sedução, mas não consegue enxergar que a realidade atual exige pessoas realmente altruístas (sem a hipocrisia do assistencialismo p…

Crença na equiparação de grandes e pequenos faz população ter piedade de grandes gestores, criando um pensamento conservador

Para a população, os grandes empresários são iguais aos pequenos. Porque os pequenos é que fazem parte da realidade da população. Os pequenos sofrem para manter seus negócios e costumam ser honestos, trabalhadores e não raramente altruístas. Os gestores de micro, pequeno e médio porte são realmente onde se pode ver exemplos de boa e excelente gestão.
Como falei acima, é o que a população consegue ver. A noção de empresariado da população mais leiga é o que ela conhece pessoalmente. Portanto, para a população em geral, empresários são trabalhadores, honestos, humildes e altruístas. E é desta forma que imaginam ser também os grandes.
As pessoas comuns não sabem como funciona o grande empresariado porque não tem acesso aos seus bastidores. Se baseiam no que conhecem, o que faz com que consigam enxergar no poderoso empresário aquele humilde quitandeiro da esquina. Mas um quitandeiro em proporções colossais. Se acham que o quitandeiro sofre, acreditam que o poderoso empresário sofra ainda…