Pular para o conteúdo principal

Os desafios de uma Administração progressista e humanitária

Hoje, a Administração necessita urgentemente de uma novíssima fase. Mesmo com as mudanças feitas, a teoria e a prática da Administração ainda tem velhos estereótipos em sua base. Essencialmente mudou muito pouco. A Administração ainda está muito vinculada ao Capitalismo e ao ganancioso desejo pelo lucro. 

Os novos teóricos que se manifestam falam em humanismo, que pessoas são o principal ativo das empresas e bla-bla-bla, mas se vê que na prática a coisa é bem diferente. As faculdades de Administração, ao invés de serem polos de formação de gestores, acabam sendo uma fábrica de a aspirantes a magnatas egoístas, gananciosos e preconceituosos. Confundem arrivismo com ambição. É preciso parar com esta mentalidade infelizmente arraigada à ideia de Administração.

O Capitalismo está velho e acabado. Tenta melhorar a sua aparência, modernizar a sua capacidade de sedução, mas não consegue enxergar que a realidade atual exige pessoas realmente altruístas (sem a hipocrisia do assistencialismo paliativo que acha que dar sopinha e futebol para pobres irá mudar o mundo). O Capitalismo age como um vampiro que gruda seus dentes em sua vítima, mesmo sabendo que não há mais sangue para sugar: o danado já chupou tudo.

É necessário haver uma Administração mais progressista, focada em pessoas. Lembrar que sem pessoas não existem objetos de gestão, sejam organizações, empresas ou qualquer tipo de pessoa jurídica. E que pessoas físicas vivem sem pessoas jurídicas se encontrarem condições favoráveis para isso, o que não é impossível.

Os novos administradores devem ser mais altruístas e reconhecer que a gestão e suas consequências só funcionam bem quando houver um maior número de pessoas com bem estar mais próximo do pleno. Todos os stakeholders devem estar bem, sem exceção. É preciso que gestores e empresários deixem de se ver como privilegiados, passando a se enxergar como responsáveis humanitários.

É difícil mudar a mentalidade, eu sei. Está arraigada por muito tempo a ideia de que a Administração é meio de enriquecer abusivamente e fabricar privilegiados. Trancados em seus escritórios muito bem refrigerados, os gestores se isolam do mundo real e fazem o possível para fugir dele, desejando que os "habitantes" do mundo de fora "se virem" para obter algum benefício, por mais essencial que seja.

Mas não é impossível mudar a mentalidade e é esta a proposta deste blog. De lançar uma alternativa à Administração predatória praticada até este instante. Uma Administração que encare a competitividade não como uma forma de rivalidade, mas como uma oportunidade de acordos, cooperação e satisfação do público-alvo. Satisfazer o cliente é que deveria ser a meta e não esticar a perna para o concorrente cair, como tem acontecido muito.

Não temos a proposta de fazer um blog didático. Acredito haver gente com maior vocação de transformar as nossas ideias em uma teoria. O que nós aqui pretendemos é lançar um debate, uma análise. Abrir uma questão. Estamos no começo e ninguém aqui está com pressa de fechar questões. 

Sempre devemos nos lembrar que todos os seres humanos tem as mesmas necessidades. O maior empresário do mundo não pertence a uma espécie superior a do mais miserável mendigo: são ambos seres humanos, que tem os mesmos direitos básicos. É essa a ideia que falta nas mentes dos administradores ainda portadores da ganância e do arrivismo.

Os tempos exigem com urgência uma Administração mais humanitária e progressista, mas que passe longe do ineficiente assistencialismo paliativo que é tradicionalmente confundido como "responsabilidade social". É preciso equilibrar a renda e propor soluções que eliminem problemas, não dar sopinhas e ensinar a jogar bola. Quase todos fazem isso e o resultado está aí: desigualdade crônica e problemas que nunca acabam. pensem nisso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reforma trabalhista destrói mito da Meritocracia

Hoje eu vou dar uma de Poliana, aquela personagem de conto de fada que via o lado positivo até mesmo na desgraça. A Reforma Trabalhista, que elimina muitos direitos dos trabalhadores, reduzindo o trabalho aos níveis da informalidade, tem um lado bom: cala a voz dos conservadores, que na poderão mais usar o falso mito da Meritocracia para justificar suas crenças.
Para quem chegou a este blog por meio deste texto, Meritocracia é a tese fantasiosa que alega que se um empregado cumprir todas a rotina do trabalho, obedecer ao patrão e seguir rigorosamente as regras do mercado, ele enriquecerá e virará um magnata. Pura lenda.
A Reforma Trabalhista destrói de uma vez por todas a Meritocracia e arranca a máscara de boa índole de empresários, executivos e dos conservadores que os defendem. Vários pontos da reforma deixam bem claro que o trabalhador terá a mesma fragilidade do trabalho informal (como se vê no camelô) e a possibilidade de perder até mesmo o direito a salário é real. Mesmo não e…

Crença na equiparação de grandes e pequenos faz população ter piedade de grandes gestores, criando um pensamento conservador

Para a população, os grandes empresários são iguais aos pequenos. Porque os pequenos é que fazem parte da realidade da população. Os pequenos sofrem para manter seus negócios e costumam ser honestos, trabalhadores e não raramente altruístas. Os gestores de micro, pequeno e médio porte são realmente onde se pode ver exemplos de boa e excelente gestão.
Como falei acima, é o que a população consegue ver. A noção de empresariado da população mais leiga é o que ela conhece pessoalmente. Portanto, para a população em geral, empresários são trabalhadores, honestos, humildes e altruístas. E é desta forma que imaginam ser também os grandes.
As pessoas comuns não sabem como funciona o grande empresariado porque não tem acesso aos seus bastidores. Se baseiam no que conhecem, o que faz com que consigam enxergar no poderoso empresário aquele humilde quitandeiro da esquina. Mas um quitandeiro em proporções colossais. Se acham que o quitandeiro sofre, acreditam que o poderoso empresário sofra ainda…