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Investimentos voltarão: não se iludam com eles

Por Marcelo Pereira

Com a deposição de Dilma, muita gente poderá ter a ilusão de que as coisas melhorarão para o país, principalmente com a chegada e talvez o aumento dos investimentos estrangeiros no país. Mas não se iludam! Os investimentos serão um belo cavalo de Troia a esconder algo bem nebuloso para a sociedade brasileira.

Uma tendência cada vez mais comum, mas pouco comentada é a de que empresas gostam de investir em países onde as relações trabalhistas são frágeis e/ou desumanas. Países onde a escravidão não é ilícita são os favoritos para instalação de fábricas. Óbvio. Empresários querem diminuir custos e aumentar lucros (para aumentar suas contas bancárias individuais) e estão pouco se importando com o bem estar de trabalhadores. O Capitalismo nunca focou o bem estar de pessoas, a não ser quando isso interfere nos interesses dos grandes capitalistas.

Se as relações trabalhistas se afrouxarem, com a CLT sendo descartada e haver a predominância do negociado, muitas empresas poderão querer criar suas filiais brasileiras, dado uma aparência de prosperidade aos que se limitam a receber as notícias através dos meios de comunicação oficiais que, por estarem no cumplicidade do poder que se instala, nunca revelaram e nem revelarão o lado real das relações de poder e da Economia.

Com as regras de trabalho mais afrouxadas, e sob a desculpa da necessidade de recuperar a economia através de corte de custos, muitos trabalhadores poderão ficar sem ter o seu salário pago regularmente. A longo prazo, os empresários irão perceber o grave erro que cometeram, com trabalhadores desestimulados e doentes e a falta de clientes sem salário para comprar produtos,  o que certamente irá causar o travamento da Economia quando se desejava o oposto.

Aviso que teremos falsas notícias de recuperação econômica e uma exagerada comemoração com a chegada de novos investimentos. Mas não se iludam. É como na época da ditadura militar, prejudicar os brasileiros para salvar o Brasil. Como se a existência de um país pudesse dispensar a existência e o bem estar de seu povo.

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